segunda-feira, 1 de junho de 2020

ESCOLA DA PONTE (José Pacheco)

José Pacheco e a Escola da Ponte 


(Gente, encontrei este post muito interessante sobre a escola da Ponte)

José Pacheco não é o primeiro – e nem será o último – a desejar uma escola que fuja do modelo tradicional. 

Ao contrário de muitos, no entanto, o educador português pode se orgulhar por ter transformado seu sonho em realidade. 
A Escola da Ponte não segue um sistema baseado em seriação ou ciclos e seus professores não são responsáveis por uma disciplina ou por uma turma específica. 
A cada ano, as crianças e os jovens criam as regras de convivência que serão seguidas inclusive por educadores e familiares. É fácil prever que problemas de adaptação acontecem.

Quando jovem, esse educador de fala mansa não pensava em lecionar. Queria ser engenheiro eletrônico. Mas uma questão o inquietava: por que a escola ainda reproduzia um modelo criado há 200 anos? 
Na busca por uma resposta, se apaixonou pelo magistério. “Percebi que na engenharia teria menos a descobrir, enquanto na educação ainda estava tudo por fazer”. 

Existem salas de aula? 

PACHECO: Não há salas de aula, e sim lugares onde cada aluno procura pessoas, ferramentas e soluções, testa seus conhecimentos e convive com os outros. São os espaços educativos. 
 Hoje, eles estão designados por área. Na humanística, por exemplo, estuda-se História e Geografia; no pavilhão das ciências fica o material sobre Matemática; e o central abriga a Educação Artística e a Tecnológica. 

A arquitetura mudou para acompanhar o sistema de ensino? 

PACHECO: Não. Aliás, isso é um problema. 
Nosso sonho é um prédio com outro conceito de espaço. Temos uma maquete feita por 12 arquitetos, ex-alunos que conhecem bem a proposta da escola. 

Como os estudantes vindos de outras escolas se integram a um sistema tão diferente? 

PACHECO: Não é fácil. Há crianças e jovens que chegam e não sabem o que é trabalhar em grupo. Não conhecem a liberdade, e sim, a permissividade. Não sabem o que é solidariedade, somente a competitividade. São ótimos, mas ainda não têm a cultura que cultivamos. Quando deparam com a possibilidade de definir as regras de convivência que serão seguidas por todos ou não decidem nada ou o fazem de forma pouco ponderada. 
Em tempos de crise, como agora, em que muitos estão nessa situação, precisamos ser mais diretivos. 

Como sua escola é vista em Portugal?

PACHECO: Há uma grande resistência em aceitar o nosso modelo, que é baseado em três grandes valores: a liberdade, a responsabilidade e a solidariedade. Algumas pessoas consideram que todos precisam ser iguais e que ninguém tem direito a pensamento e ação divergentes. Há quem rejeite a proposta por preconceito, mas isso nós compreendemos porque também temos os nossos. 
A diferença é que nós nunca colocamos em cheque o trabalho dos outros. Consideramos que quem nos ataca faz isso porque não foi nosso aluno e não aprendeu a respeitar o ponto de vista alheio.

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